segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Um jantar revelador - 29/11/2010

  • Um jantar revelador

    Um amigo me contou que, dia desses, reuniu para um jantar velhos colegas do tempo de ginásio e faculdade. Velhos é figura de retórica, todos não passavam dos 35 anos. Gurizada, como se vê. Foi um agradável convívio depois de bom tempo.

    Até aqui, nada demais. O anfitrião, esse amigo que me contou da festa, contou-me, também, que se decepcionou com as ideias e as posturas dos antigos colegas. Disse-me que não viu neles nenhuma ponta de idealismo por nada e que todos, por igual, estão a visar qualidade de vida e a trabalhar pouco. Claro, com ganhos elevados.

    Ouvi e nem pisquei. Não quis decepcionar o amigo que me contou de seu desapontamento. Ou ele é ingênuo ou anda com os canais sensoriais entupidos. Essa é a regra, poucos querem uma vida séria, idealista, o negócio é prazer, muitos prazeres, a celebração do hedonismo mais puro e genuíno.

    Qual o futuro desse tipo de gente? Olhe, os caras até podem vir a ganhar muito dinheiro na vida, isso podem. Mas é só. Serão, ou já são, extremamente infelizes. Vivo dizendo nas minhas palestras, especialmente para os jovens, que hoje, mais do que nunca hoje, ninguém se pode realizar senão pelo trabalho. Ou o trabalho nos realiza ou passaremos pela vida gemendo, ainda que com dinheiro no banco. O dinheiro compra bens materiais, não compra plenitudes nem preenche vazios existenciais. Ainda bem. Não fosse assim, só os endinheirados seriam felizes. E que disse que o são?

    Essa história contada pelo meu amigo fez-me lembrar de uma garota que ouvi há algumas semanas que dizia a uma colega, perto de mim, que ela não via futuro senão num bom casamento. Dizia-se pobre, sem muito estudo, sem recursos, como frisava muito, etc, etc. Só não me meti na conversa porque não era comigo e nem conhecia a garota, conhecia a outra, a quem ela falava.

    Esse tipo de declaração me irrita.

    Essa história de que venho de família pobre, estudei em colégio de madeira no meio do mato, não tenho sorte, meus pais eram analfabetos, coisas desse tipo, isso me irrita muito. A pergunta que faço a esse tipo de gente é: tua cabeça funciona bem? Tu rasgas dinheiro?

    Tu podes ir e vir? Tens plena saúde? Então, tens todas as possibilidades para ser o que quiseres.

    Mas pelo que vejo, não queres ser nada. Tua vontade é soberana, nada serás na vida. Ora bolas, tenho mais o que fazer...

  • VERDADE

    O horóscopo dizia: “Recriar o mundo é um ideal louvável. Porém, quem disse que o mundo iria abrir os braços a esse impulso? Pelo contrário, o mundo fecha as portas.” É por isso que muita gente está desistindo de “salvar” almas e misérias humanas, as pessoas ficam chateadas, não querem mudar...

  • ELAS

    Guardei comigo uma manchete do Jornal de Santa Catarina. Esta: Jovens, solteiras e endividadas. Solteiras e endividadas com o quê? Não têm família para sustentar, gastam no quê?

    Com tolices das vaidades e dos prazeres do consumismo? Vão falir o futuro marido ou garantir vaga num asilo quando velhas...

  • VIDA

    Você não quer correr riscos, não quer ousar, não quer sofrer críticas, não quer sofrer reveses ou gozar de grandes momentos? Medite, largue tudo e vire um meditador.

    Mas é bom lembrar que até os monges chutam cadeiras vez por outra...

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